Floresta de Suculentas


Cultivando beleza… e plantas!

Kalanchoe tubiflora

kalanchoe-delagoensis

Nomes populares: Cacto-da-abissínia, cacto-japonês, flor-da-abissínia, dinheiro em penca, unha-de-gato (SC), bálsamo alemão, chandelier plant.

 Sinônimos botânicos: Kalanchoe delagoensis

Família: Crassulaceae

Espécies assemelhadas: A forma de suas folhas evita que seja conjundida com outras espécies.

Origem: Madagáscar.

Características: Esta suculenta tem um formato pouco comum, sendo ereta e com folhas estreitas com padrão rajado. Estas são dotadas de meristemas capazes de criar gemas adventícias (mudas) como tantas outras do gênero, mas os têm apenas no ápice. Inflorescência cimosa, vistosa, com flores tublares de cor róseo-avermelhado, formada no meristema apical da planta, pelo que o florescimento resulta em sua morte. Pode ultrapassar 1 metro de altura no final de sua vida, mas geralmente é encontrada com menos de 30 centímetros.

Cultivando em Florestas de Suculentas: Esta espécie é tão adaptada aos ambientes brasileiros que em certas regiões é erva daninha muito detestada. É relativamente comum que ocupe os telhados de casas antigas e marquises dos prédios. E, por esta razão, mesmo alguns colecionadores de suculentas a detestam. Há algumas décadas, na cidade catarinense de Jaguaruna, era considerada invasora de lavouras em terrenos arenosos a qual deveria ser eliminada tão logo se notasse, pela facilidade com que se propagava pelo terreno.

Em Florestas de Suculentas, porém, é uma das mais interessantes, em minha opinião. Sua integração à paisagem se assemelha à de palmeiras em meio a uma floresta. O padrão de ‘pintinhas’ de suas folhas confere também uma imagem agradável e atrativa à FDS. E tanto mais o faz esta planta quando floresce.

A espécie se adapta a qualquer dos estágios sucessionais da floresta de suculentas, podendo vegetar em áreas abertas e sendo uma das que persistem na vegetação clímax que se forma vários anos depois da FDS estar implantada. O formato de sua folhagem deixa passar muita luz, de modo que permite que suculentas de porte baixo e alta exigência quanto à luminosidade vivam debaixo de si. Já quando convive com suculentas de porte mais alto geralmente concentra suas folhas na porção do tronco acima da ‘copa’ das demais, escapando do sombreamento.

A reprodução dentro da FDS é muito comum e ocorre o ano todo graças às gemas adventíceas (pequenas mudas que se formam em suas folhas e depois caem ao solo). No subosque (parte da vegeteção que em uma floresta fica restrita ao solo) de uma floresta de suculentas são extremamente comuns os exemplares jovens de Kalanchoe tubiflora, que podem permanecer pequenos por alguns anos se a iluminação for pouca e o solo estiver pobre. Essas mudinhas que enraizam no subosque dão um efeito visual bastante interessante à FDS e tornam o aspecto de ‘floresta’ bem mais convincente. Esta reprodução intensa é importante ainda para a própria sobrevivencia da espécie dentro da FDS: Como dito, a planta morre ao florescer, mas também muitos dos exemplares que aí nascem/são plantados podem acabar por morrer antes de completarem o ciclo vital, sendo a umidade a principal causa. Por esta razão, em minha opinião, o acompanhamento da população desta espécie nas FDS é especialmente interssante, simulando mesmo uma planta em um ambiente selvagem.

A floração desta espécie é algo semelhante à da palmeira talipot (Corypha umbraculifera), pois as duas espécies lançam mão de toda a energia armazenada em seu organismo a fim de gerar o memior número de flores possível e depois poder manter a formação das sementes. Como dito, assim como ocorre com a palmeira talipot, a inflorescência surge no meristema apical (tecido de crescimento que gera novas folhas no alto da planta), tornando a planta incapaz de gerar novas folhas e vindo a morrer. O fenômeno se dá principalmente na segunda metade do inverno, mas pode ocorrer fora de época. Desde quando está apenas com botões até o pico de floração, estes indivíduos sexualmente maduros chamam a atenção de quem olha. Para os nossos polinizadores nativos, porém, parece ser pouco atrativa.

Esta planta é também um indicativo da riqueza do solo onde se encontra. Embora eu ainda não tenha estudado os sintomas que ela exibe na carência de diferentes nutrientes, pude perceber alguns comportamentos: Quanto mais folhas ela tiver, tanto melhor será a fertilidade do solo. Espécimes que nascem em locais férteis mantém as flohas velhas por muito tempo, não raro apresentando flohas desde a base. Já os que crescem em solos compactados, ácidos e, especialmente, pobres em nitrogênio, tendem a sacrificar as folhas mais velhas para poder gerar as novas e dar continuidade ao seu desenvolvimento. Por esta razão, nas FDS muito velhas (com mais de 5 anos geralmente), onde o solo tende a se tornar paupérrimo em nitrogênio, os exemplares tendem a apresentar copas altas e com poucas folhas, acentuando ainda mais o aspecto de ‘palmeira’.

 

Interações (pragas/doenças/outros): A principal interação ecológica desta espécie reside na colonização do subosque com suas mudas. Em certas situações, estas mudas podem se tornar a espécie predominante no subosque. Quanto à interação com animais, Kalanchoe tubiflora não é muito ativo. Ela é mais flexível ao vento que outras espécies de mesmo porte, razão pela qual, creio, é bastante raro observar insetos pousados nela. Certa vez fotografei um besouro da família dos cerambicídeos que parecia, pelo seu padrão de cores bastante semelhante ao de suas folhas, querer se camuflar na copa desta suculenta (veja a galeria de fotos ao final desta página), porém estou ciente de que tal encontro foi totalmente fortuito. Às vezes beija-flores detém sua atenção nas flores por algum tempo, mas nunca observei nenhum deles efetivamente se alimentar nelas. Uma doença há que acomete esta espécie com certa regularidade nas FDS, mas não é causada por agentes biológicos, e sim pelo excesso de umidade: a podridão. A planta tem relativa resistência à umidade, mas por vezes, após chuvaradas ou uma seqüência de dias chuvosos, uma ou mais delas pode vir a sofrer o apodrecimento da raiz. Esta doença é fatal em praticamente 100% dos casos, mas nunca acomete toda a população.

 

Propagação: Extremamente fácil, e mesmo expontânea. A planta gera gemas adventíceas no ápice de suas folhas, e essas vão colonizando o terreno em volta da planta-mãe. Pode-se então replantar estas mudas no local desejado, ou mesmo destacar algumas das gemas e posicionar onde se quer que enraízem.

Tolerância a umidade: Mediana, sendo que alguns exemplares podem morrer após dias sem uma boa drenagem no solo.

Floração: Sobretudo na segunda metade do inverno. Vistosa, mas pouco atrativa, pelo que não são polinizadas.

Galeria de imagens:

 

Links internos relacionados:

Família Crassulaceae

Kalanchoe thyrsiflora

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Galeria de imagens relevantes de outros sites:

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Links externos/referências:

 
Bálsamo alemão - plantamed.com

 Kalanchoe tubiflora – Paisagismo Digital

Bálsamo alemão como medicinal – BlognaPilha

Chandelier Plant, Bryophyllum tubiflorum – sunnygardens.com

COME COLTIVARE E CURARE LE PIANTE KALANCHOE – Elicriso.it 

Kakteen-/Sukkulentenverzeichnis / nach deutschen Namen geordnet – Suculentas na alemanha

DETECÇÃO DE Agrobacterium tumefaciens PELO USO DE FOLHAS DE Kalanchoe tubiflora COMO ISCAS BIOLÓGICAS (pdf)

Estudo químico e avaliação citotoxicológica da espécie Kalanchoe tubiflora, uma planta potencialmente antitumoral (pdf)

Setembro 23rd, 2009
Topic: Crassuláceas, Espécies de Suculentas Tags: , , , , , , , ,

3 comentários to “Kalanchoe tubiflora”

  1. Leandra Alum nos diz:

    Adorei seu site! Linkei-o no blog da Ceramista Fernanda Nicácio: http://ateliedobarromg.blogspot.com/2009/10/florestas-de-suculentas.html

  2. Kalanchoe thyrsiflora | Floresta de Suculentas nos diz:

    [...] Kalanchoe tubiflora [...]

  3. Talinum crassifolium | Floresta de Suculentas nos diz:

    [...] Kalanchoe tubiflora [...]

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