Huernia keniensis
Nomes populares: Flor-dragão, flor-dragão-do-quênia, huérnia, húernia do quênia, dragon flower
Família: Asclepiadaceae
Espécies assemelhadas: É facilmente confundida com H. macrocarpa, da qual se diferencia principalmente pelas flores, que são mais abertas em H. macrocarpa e em forma de “sino” em H. keniensis. Sem flores, é muito semelhante a outras huérnias.
Origem: África.
Características: Essa é uma suculenta bastante comum em cultivo no Brasil. Os leigos a tomam comumente por um cacto, mas essa planta não é da família das cactáceas, não tem espinhos e suas flores são produzem pólen exuberante como as dos cactos. É uma plantinha de altura que raramente ultrapassa os 10 cm, com folhas muito reduzidas e se desenvolve sob a forma de touceiras. Floresce em diferentes épocas ao longo do ano, sobretudo no outono. Suas flores, relativamente grandes, têm cheiro de carne em decomposição, o que atrai moscas, seus polinizadores, contudo o cheiro é tão fraco que normalmente não é sentido a menos que se a coloque diante do nariz.
Cultivando em Florestas de Suculentas: À primeira vista, esta pode parecer uma suculenta “sem graça” para manter na sua floresta de suculentas. Na maior parte do ano, ela vai aparentar ser apenas um “cacto” no meio da FDS. Quando floresce, sua presença se torna mais interessante, com suas flores cor de vinho se destacando em meio ao resto da vegetação. Mesmo assim, as flores surgem em sua base, e muitas vezes só são percebidas por seres humanos com um olhar mais atento.
Para fins ‘paisagísticos’ na FDS, ela é mesmo mais um complemento de cenário, uma coadjuvante, mais uma forma exótica em meio a uma vegetação surreal (tente encontrá-la em meio às FDS que aparecem nas últimas fotos da galeria que encerra este artigo). Isso, por si só, já a torna muito interessante, em minha opinião, por me permitir ir descobrindo cada vez plantas mais excêntricas conforme eu presto atenção à FDS, mas está longe de ser tudo que esta plantinha faz. Ela tem interações ecológicas bastante intrigantes, e algumas surpresas boas para os mantenedores de sua FDS.
Primeiro, ela é uma planta que tolera tanto o sol-pleno quanto meia sombra, podendo ser planta tanto em partes da FDS de vegetação baixa, quanto em meio a outras mais altas do que ela. Sob sol pleno ela se desenvolve menos, e seus ramos se tornam mais avermelhados como forma de se proteger da radiação solar. Quando recebe apensa algumas poucas horas de sol direto por dia, entrecortado por um período maior de meia-sombra, vai estar em seu ambiente ideal.
Esta planta, ao contrário do que sugere a sua aparência, não fica estática no meio, ela se reproduz ativamente, seja por novas brotações, seja tentando ser polinizada. Quando plantada sozinha em um vaso, ela vai aos poucos tomando toda a área com suas novas brotações, expandindo a sua touceira. Quando em meio a uma FDS, porém, ela está competindo com outras suculentas por espaço, e as suas touceiras se tornam bem mais espaçadas.
A segunda característica mais interessante desta planta é sua floração. Como dito, flores de tamanho algo vistoso, cor de vinho e… cheiro de carne podre. O cheiro, porém, é leve demais par ser sentido por pessoas, de modo que ela pode ser cultivada até dentro de casa sem problemas. Contudo, seus polinizadores percebem. Quando há flores de Huernia na FDS, ainda que bem escondidas lá em meio ao ‘sub-bosque’ (a parte da floresta debaixo do dossel das árvores maiores), a visita de moscas e outros pequenos animais necrófagos aumenta. As flores, contudo, ao contrário de outras que oferecem néctar, cera e/ou pólen, ludibria seus polinizadores, que nada ganham da planta. Às vezes, até, alguma mosca coloca ovos nelas, mas as larvas que daí nascem acabam morrendo, pois ali não há qualquer alimento para elas. Outros insetos pequenos que gostem de carne estragada também podem ser atraídos, e enganados.
Os animais que caçam moscas, porém, tiram proveito da floração. Em uma FDS (nas minhas, pelo menos) os predadores de moscas são normalmente representados por aranhas diversas e besouros da família Staphylinidae (a mesma do besouro Devils Coach Horse). Ocasionalmente, libélulas podem usar as suculentas mais altas da FDS como poleiro de caça e abater mocas, e lagartixas pequenas podem estabelecer sua toca em meio às suculentas, e são predadores em potencial. Já notei algumas vezes besouros da sub-família Cicindelinae (dos besouros-tigre),e tesourinhas (insetos da ordem Dermaptera) nas minhas FDS, porém, não sei se eles chegaram a comer larvas ou qualquer outro tipo de presa enquanto estiveram ali, e nem quanto tempo permaneceram. Uma única vez observei o que me pareceu ser um minúsculo louva-a-deus, que talvez pudesse se alimentar de insetos atraídos pelo odor das flores da H. keniensis.
Por fim, o que eu julgo mais interessante nesta planta são os seus frutos (não tirei fotos deles em minhas FDS, mas se podem ver alguns deles nas últimas fotos da galeria de links externos). Estes têm o formato comprido típico de muitos frutos do tipo cápsula de plantas apocináceas e asclepiadáceas, são eretos e têm uma coloração parecida com as folhas de Kalanchoe tubiflora. Os frutos apenas se formam quando as flores são bem polinizadas e eu até hoje só vi se formarem dentro de minhas FDS, e nunca nos vasos onde mantenho apenas a espécie sozinha. Isto me parece um indicativo claro de que a FDS possibilita interações ecológicas interessantes, que não ocorrem no resto do jardim/quintal (ou as minhas outras plantas teria sido igualmente polinizadas).
Mas, o que torna os seus frutos realmente interessantes é que, quando ainda não se os conhece, como aconteceu comigo, tem-se a nítida impressão de que apareceu uma espécie nova de suculenta na FDS. A menos que você os vá seguindo até chegar aos ramos da planta, jamais vai associá-los a uma Huernia! Em todo caso, nunca tentei semear suas sementes, pelo que não posso dizer se são férteis.
Interações (pragas/doenças/outros): A maior parte das interações ecológicas com animais já foi descrita, e se devem à atração de insetos necrófagos por ocasião do florescimento. Esta planta pode ser atacado por cochonilhas de raiz (ver postagem sobre isto no blog Plantas suculentas, Marcus Corradini AQUI). Contudo, nunca percebi pragas ou doenças nestas minhas plantas, se não por casos isolados: por duas vezes notei que pontas de ramos delas tinham sido indiscutivelmente comidas por algum animal. Um deles parecia ter marquinhas de mastigação, e pode ter sido feito por um camundongo, o outro em tudo se assemelhava aos vãos redondos deixados por certa lesma exótica (possivelmente Deroceras). Porém, esta planta é sabidamente venenosa, e não creio que os animais que fizeram aqueles estragos tenham vivido muito tempo depois disso…
Propagação: Bastante fácil: Ela mesma pode ir se propagando quando tem espaço, e a nós compete apenas retirar algum dos raminhos da touceira e replantar já no local definitivo. Galhos cortados também podem enraizar. Não sei se as sementes de seus frutos são férteis.
Tolerância a umidade: Bastante boa: jamais perdi um exemplar dessa espécie por excesso de umidade, e os mantenho em vasos que podem alagar por várias horas com chuvas fortes. É conveniente, porém, manter uma boa drenagem do substrato.
Floração: Sobretudo no outono, aqui no leste de Santa Catarina, mas pode surpreender com floradas menores ao longo do ano. Atrai insetos que gostam de carne estragada.
Galeria de imagens:
Links internos relacionados:
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Galeria de imagens relevantes de outros sites:
Links externos/referências:
Huernia keniensis, no blog de Plantas Suclentas de Marcus Corradini
Huernia macrocarpa, no blog de Plantas Suclentas de Marcus Corradini
Cochonilhas de solo, no blog de Plantas Suclentas de Marcus Corradini
Huernia, por dicionário sensAgent
Huernia, wikipedia
Huernia keniensis, wikipedia
Quinta florida, por Divânia
Tesourinha predando lagarta, no discoverlife (apenas pois citei estes predadores)
Junho 24th, 2009Topic: Asclepiadáceas, Espécies de Suculentas Tags: None

















































Julho 3rd, 2009 at 6:00
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